Bom senso nunca esteve tão em falta quanto nos dias de hoje. Nos últimos tempos, o avanço dos aplicativos para internet e o boom das redes sociais, levantam uma questão muito delicada que vem sendo deixada de lado.
A privacidade de muitas pessoas vem sendo invadida e desrespeitada, muitas vezes com a ajuda do próprio prejudicado.
Veja a definição de “privacidade” extraída da Wikipédia:
Privacidade é a habilidade de uma pessoa em controlar a exposição e a disponibilidade de informações acerca de si. Relaciona-se com a capacidade de existir na sociedade de forma anônima (inclusive pelo disfarce de um pseudônimo ou por um identidade falsa).
Túlio Vianna, professor de Direito da PUC Minas, divide o direito à privacidade em 3 outros direitos que, em conjunto, caracterizam a privacidade:
- Direito de não ser monitorado, entendido como direito de não ser visto, ouvido, etc.
- Direito de não ser registrado, entendido como direito de não ter imagens gravadas, conversas gravadas, etc.
- Direito de não ser reconhecido, entendido como direito de não ter imagens e conversas anteriormente gravadas publicadas na Internet em outros meios de comunicação.
Para Túlio Vianna:
“O direito à privacidade, concebido como uma tríade de direitos – direito de não ser monitorado, direito de não ser registrado e direito de não ser reconhecido (direito de não ter registros pessoais publicados) – transcende, pois, nas sociedades informacionais, os limites de mero direito de interesse privado para se tornar um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito” (VIANNA, Túlio. Transparência pública, opacidade privada. p.116)
De acordo com Eric Hughes, “privacidade é o poder de revelar-se seletivamente ao mundo.” [1] De modo semelhante, Rainer Kuhlen diz que a “privacidade não significa apenas o direito de ser deixado em paz, mas também o direito de determinar quais atributos de si serão usados por outros” ().
Agora faça uma breve análise a respeito do que foi lido acima e veja se alguma das ferramentas que você utiliza fere esses princípios básicos. Não se espante, é comum pensar primeiramente no orkut, afinal quem não tem um orkut não é? Pois bem, para não alongar muito a conversa, podemos ver que o princípio básico: “Habilidade em controlar a exposição e a disponibilidade de informações acerca de sí” está totalmente violado. Basta navegar nos seus amigos e bisbilhotar a vida deles, dá para saber um monte de coisas, que se não houvesse tal ferramenta talvez você não soubesse. Entretanto, não se culpe, pois a culpa não é só sua, a partir do momento que o seu amigo colocou tudo lá ele assume a perda da sua privacidade.
Veja os 3 tópicos destacados pelo Professor Túlio Vianna:
1. Direito de ser monitorado: Esse nem se fala, pois todo mundo pode “visitar” todo mundo e a qualquer tempo.
2. Direito de não ser registrado: Esse até que tem saída, mas mesmo assim inventaram um jeito de violar esse princípio também, se você não desabilitar determinada opção todo mundo fica sabendo onde você esteve, quem vistou.
3. Direito de não ser reconhecido: Esse mesmo! Qualquer um pode salvar as suas fotos e publicá-las novamente em qualquer lugar da internet, bem como publicar também qualquer frase descuidada que você possa ter deixado escapar em um “scrap”.
Resumo da obra: Pense antes de se expor publicamente. Preserve-se o quanto puder. Não estou dizendo para virar um monge recluso, mas tenha cuidado. Você não sabe quem anda lhe visitando nem o que estão fazendo com os seus dados!
Dica: Veja como melhorar a sua privacidade no orkut através das dicas publicadas no blog oficial do google
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